terça-feira, 25 de setembro de 2012

As areias que te digam... (Pt 1)

Tinha 16 anos o jovem Malik, primo de 2° grau da Duquesa Satsume de Malone, maometano, egípcio beduíno pobre e ingenuo, magrelo, alto, da pele morena, cabelos loiros e olhos cor de lilás, tinha feições simpáticas e bonitas, sabia letras e matemática, que aprendeu com o professor de particular, pago por sua prima e madrinha... Ahhh, e depois dos filhos ele era o xodó dela....
...
- Ela deve estar chegando, papai!
- Esqueça, ela é ocupada demais, não vai vir... Está tarde, entre na tenda...
- Mas ela prometeu, papai!
- Então que espere ela dentro da tenda! Entre já! Está ficando tarde...
...
"Se ela for reclamar sobre o dinheiro novamente, melhor que nem venha..." Resmungava o velho Hanab, em pensamento.

E logo chegava pelo longe, de camelo, a figura dos cabelos alvos, a duquesa Satsume, vindo com o marido e os filhos pra ver o querido afilhado, se passava bem, e se o pai realmente usava direito o dinheiro que ela dava para pagar a comida e o professor dos 7 filhos, Malik e seus irmãos mais velhos.

- Já estamos chegando, querido?- Perguntava a moça
- Ainda falta, baby.- Respondia o marido Saul
- Por que viemos de camelo? Meu bumbum doí...
- Quieta mulher! Foi tua a ideia de atravessar o Delta do Nilo de camelo....

Mas logo que a figura ficava visível ao longe das barraquinhas dos beduínos, saia o menino loiro todo alegre comemorando em língua arábica;

-Ela disse! Ela disse que vinha!

E logo que o casal chegou junto aos filhos, iam logo abraçando os parentes, e Malik que não desgrudava do pescoço da madrinha ia logo contando as novidades, e suas viagens de vida nômade, e pegava gravetos pra escrever na areia as letras e cálculos que o professor havia ensinado, ora, Satsume era astrofísica, e o garoto intentava em deixa-la orgulhosa a mostrar que também era culto, ou que pelo menos queria ser.
Os filhos da duquesa iam logo tentando se entrosar com os primos, que eram fechados, carrancudos como o pai, só o mais novo é que os recebia como quem recebe os próprios pais e irmãos.
E Satsume chegava logo em Hanab, o puxando pelo canto;

- Esses meninos não estão com cara de nutridos, Hanab.
- Ora, eles comem muito! Nem sempre dá pra esbanjar comida no prato deles!
- Não me venha com isso Hanab, se o problema fosse a quantia você se apressava em me dizer!
- Não me venha com sua conversa de inglesa, que eu sei cuidar de meus filhos!

Hanab nunca gostou dessa estória de ter a família sustentada pela neta do irmão que fugiu para a Europa, nem tanto por ser estrangeira, mas por ser mulher, o egípcio tinha bom coração, mas pela tradição, não se contentava que seus filhos fossem sustentados pelo dinheiro de uma mulher, e todo o dinheiro, que não era pouco, dado por Satsume, o velho gastava com seus próprios negócios, caso queira saber, apostas e bebida...
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Transmissão interrompida
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